ACADEMIA VERMELHA DE ARTE MILITAR PROLETÁRIO-REVOLUCIONÁRIA MIKHAIL V. FRUNZE :

A ARTE PROLETÁRIA DA INSURREIÇÃO SOCIALISTA

ASPECTOS INTRODUTÓRIOS

 

Conselhos de um Ausente sobre a Insurreição Socialista

   

VLADIMIR I. LENIN[1]

 

Concepção e Organização, Compilação e Tradução Rochel von Gennevilliers

Fevereiro 2005 emilvonmuenchen@web.de

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Escrevo essas linhas, em 8 de outubro, tendo pouca esperança de que os companheiros de Petrogrado venham a tê-las em mão, já no dia 9 de outubro.

É possível que essas minhas linhas cheguem tarde demais, pois o Congresso dos Sovietes do Norte está agendado para o próximo dia 10.

Porém, mesmo assim, pretendo tentar intervir com meus “conselhos de um ausente”, no caso de a provável ação dos trabalhadores e soldados de Petrogrado e de todo o “perímetro” vir a ocorrer, em breve, não havendo, portanto, ainda ocorrido.

Está claro que todo o poder deve passar para as mãos dos Sovietes.

Igualmente indiscutível deve ser para todos os bolcheviques o fato de que um poder proletário-revolucionário (ou bolchevique, pois isso é, presentemente, uma única e mesma coisa) gozará, seguramente, da mais ampla simpatia e do apoio mais irrestrito da parte de todos os trabalhadores e explorados do mundo, considerados em geral, nomeadamente daqueles dos países beligerantes e, em particular, do campesinato russo.

Não vale a pena nos demorarmos mais nessa verdade por demais conhecida e há muito tempo comprovada.

Pelo contrário, devemos debruçar-nos sobre aquilo que, provavelmente, não está inteiramente claro para todos os companheiros, a saber : que a passagem do poder para as mãos dos Sovietes significa, agora, na prática, a insurreição armada.

Poder-se-á dizer que isso já se tornou completamente evidente, porém nem todos compreenderam e possuem inteira clareza a esse respeito.

Renunciar, nesse momento, à insurreição armada significaria rejeitar a principal consigna do bolchevismo (Todo Poder aos Sovietes) e, em geral, repudiar todo o internacionalismo proletário-revolucionário.

Porém, a insurreição armada é uma forma especial de luta política que se subordina a leis específicas que devem ser fundamentalmente ponderadas.

De modo maravilhosamente flexível, Karl Marx exprimiu essa verdade quando escreveu que, dotada de armas, a “insurreição é uma arte, tal como a guerra o é.”

As regras mais importantes dessa arte são, segundo Marx, as seguintes:

 

1. Jamais jogar com a insurreição. Uma vez, porém, iniciada, deve-se saber precisamente que é necessário avançar até o fim.

 

2. Cumpre concentrar uma imensa superioridade de forças no local decisivo e no momento decisivo, pois, do contrário, o inimigo, que é melhor formado e melhor organizado, aniquilará os sublevados.

 

3. Tão logo a insurreição tenha começado, há que se agir com a maior resolução e, em todas as circunstâncias e incondicionalmente, assumir a ofensiva. “A defensiva é a morte da insurreição armada.”

 

4. Há que se desejar, ardentemente, surpreender o inimigo e estar atento para o momento em que suas tropas estejam dispersas.

    

5. Devem-se, todos os dias – e tratando-se de uma cidade, podemos dizer : todas as horas alcançar vitórias, ainda que pequenas e, através disso, a todo custo, manter a “prevalência moral”.

 

Marx sintetizou os ensinamentos de todas as revoluções, relativos à insurreição armada, com as palavras de “Danton, o maior mestre de tática revolucionária, conhecido até o presente momento” :

 

“Ousadia, ousadia e, mais uma vez ainda, ousadia !”

 

Esse dito aplicado à Rússia e ao Outubro de 1917 significa :

 

Ofensiva concomitante, mais supreendente e rápida possível sobre Petrogrado, incondicionalmente, seja por fora como por dentro, seja a partir dos bairros operários como da Finlândia, de Reval e de Kronstadt.

 

Ofensiva da frota, em seu conjunto e concentração de uma tremenda superioridade de forças em face de nossa “Guarda Civil” (Cadetes Militares), composta por 15.000 ou 20.000 combatentes (talvez até mesmo mais forte), em face de nossas “Tropas da Vendéia” (uma parte dos Cossacos) etc.[2]

 

Nossas três principais forças são as seguintes:

 

1)           a frota;

2)           os trabalhadores; e

3)           as unidades de tropa.

 

Elas devem ser combinadas de modo a podermos ocupar, incondicionalmente, e mantermos, ao custo das ainda mais grandes perdas :

 

a) a Central Telefônica;

b) a Central de Telégrafo;

c) as Estações Ferroviárias e, sobretudo,

d)as pontes.

 

Devemos formar pequenos destacamentos a partir dos elementos mais decididos (a partir de nossa “tropa de choque” e da juventude dos trabalhadores, bem como a partir dos melhores marinheiros.

Esses elementos ocuparão os pontos mais importantes e, por todos os lados, serão acionados, em todas as importantes operações, como por exemplo :

 

Cercar e isolar Petrogrado, tomando-a mediante um ataque combinado da frota, dos trabalhadores e das tropas. Isso consiste em uma tarefa que exige arte e triplicada ousadia.  

 

Temos de formar destacamentos, armados com fuzis e granadas de mão, a partir dos melhores trabalhadores, a fim de atacar e assediar os “centros” do inimigo (as Escolas Militares, as Centrais de Telefone e Telégrafo etc.).

A consigna desses destacamentos deve ser a seguinte :

 

“Mesmo que todos nós caiamos, o inimigo não passará !”

 

Queremos crer que, se a ação vier a ser decidida, os dirigentes seguirão, com êxito, o grande legado de Danton e de Marx.

O êxito da Revolução Russa e da Revolução Mundial dependerá de dois ou três dias luta.

 

 

 

ACADEMIA VERMELHA DE ARTE MILITAR PROLETÁRIO-REVOLUCIONÁRIA MIKHAIL V. FRUNZE

ESTUDOS MILITARES SOCIALISTAS-INTERNACIONALISTAS

DEDICADOS À FORMAÇÃO

DE TRABALHADORES, SOLDADOS E MARINHEIROS MARXISTAS REVOLUCIONÁRIOS

 

EDITORA DA ESCOLA DE AGITADORES E INSTRUTORES

“UNIVERSIDADE COMUNISTA J. M. SVERDLOV”

PARA A FORMAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E DIREÇÃO MARXISTA-REVOLUCIONÁRIA

DO PROLETARIADO E SEUS ALIADOS OPRIMIDOS

MOSCOU - SÃO PAULO - MUNIQUE – PARIS

 

 



[1] Cf. LENIN, VLADIMIR I. Ratschläge eines Aussenstehenden (Conselhos de um Ausente) (8 de Outubro de 1917), in: W. I. Lenin Werke (Obras de V. I. Lenin), Vol. 26, Berlim : Dietz Verlag, 1962, pp. 166 e s. Anoto, por oportuno, que as presentes linhas de Lenin, a despeito de terem sido redigidas no dia 8 de outubro de 1917, i.e. às vésperas da deflagração da Insurreição Socialista de Outubro, vieram a ser publicadas, apenas, em 7 de novembro de 1920, nas colunas do Nr. 250 do jornal “Pravda (A Verdade)”, ocasião em que surgiu provida da seguinte assinatura : “Um Ausente”. 

[2] Cumpre anotar que Lenin, ao fazer alusão às „Tropas da Vendéia“ tinha, perfeitamente, em conta o fato de que a Vendéia, sendo um departamento territorial-administrativo da França, foi, durante a Revolução Francesa Burguesa, ocorrida no fim do século XVIII, o reduto da deflagração de uma insurreição contra-revolucionária, impulsionada por camponeses reacionários e atrasados, encabeçados por representantes eclesiásticos e latifundiários, precisamente contra o governo da Convenção Revolucionária de Paris. Essa insurrreição foi, sobretudo,  impulsionada sob o efeito de consignas de ordem religiosa, eminentemente hostis ao processo de instauração de uma nova ordem revolucionário-burguesa.